Reportagem recente de um jornal da capital mineira divulgou dados de pesquisas da EMC Corporation (empresa norte-americana de pesquisa de armazenamento e gerenciamento de dados), em que apontam o total de informações digitais produzidas no ano de 2006 como 3 milhões de vezes mais informações contidas em todos os livros até hoje publicados.
Para complicar ainda mais: estas informações digitais equivalem a 12 pilhas de 150 milhões de km, ou, uma viagem entre a terra e o sol. A marca é, obviamente, expressiva. Com tais números não resta dúvida de que estamos vivendo na era da informação. Mas o que as pesquisas não apontaram, foi o conteúdo – e a estruturação – dos dados no ambiente digital.
A arquitetura da informação no mundo digital deveria obedecer à lógica inerente ao meio. Mecanismos de indexação, por exemplo, deveriam facilitar o acesso do usuário às respostas desejadas sem que este tenha de perder um longo tempo navegando a esmo. Mas isto não acontece. Tudo bem que o Google tenta ordenar as informações para buscas mais rápidas e objetivas. Mas isto é apenas o primeiro passo. O que pode ser um grande incômodo na estruturação das informações on-line aparece justamente a partir daí. Não adianta termos uma quantia exorbitante de dados, se não temos o acesso facilitado nem a um terço deles (para ser otimista). A partir de agora, dê uma olhada nos sites em que navega. Se demorar mais de 10 segundos tentando encontrar a seção na qual estará o que procura, saiba, você tem um problema de Arquitetura da Informação.
O problema se dá, talvez, por ainda não termos bem claro qual o papel do profissional responsável pela estruturação da informação no processo de elaboração de um website. O Arquiteto da Informação ainda ocupa espaço “secundário” na criação do conteúdo digital. Nem mesmo as empresas de desenvolvimento de websites têm consciência de sua importância.
Portanto, creio ser dever do usuário apontar falhas da estruturação da informação. Experimente enviar um e-mail para os sites em que você navega mais comumente, questionando porque não organizar os dados de maneira mais clara. Quem sabe assim não temos 150 milhões de km de informações desorganizadas.